Operação ‘Fake driver’ cumpre mandados de prisão por venda e falsificação de CNHs
Mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram cumpridos nesta terça-feira (11) nas cidades de Uberaba, Araxá, Perdizes e Sacramento durantea Operação “Fake driver”, que investiga um grupo especializado em vender e falsificar Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A ação é realizada pela Polícia Civil de Araxá. Dos 12 mandados de prisão temporária expedidos, 10 foram cumpridos até a tarde de terça-feira e conduzidos até a delegacia.
Outras 33 pessoas foram ouvidas pela polícia. O suspeito de chefiar o esquema já estava preso preventivamente.
Mais de 100 pessoas que compraram documentos falsos ou pagaram por uma suposta facilitação na aprovação também vão responder processo criminal. Um esquema de envolvendo leilões de veículos também é apurado.
Falsificação
As investigações sobre o grupo começaram em janeiro de 2021, quando houve uma apreensão de alguns documentos falsos, durante uma busca e apreensão na cidade. Foram encontradas CNHs falsas e dinheiro junto a uma pessoa do sexo masculino, que não teve idade divulgada e já se está detida.
“A investigação foi iniciada com uma suposta identidade falsa apresentada por uma autoridade no município, e após apreender o celular dele, descobrimos inúmeros crimes. Entre eles, um grande esquema de falsificação de documentos, sobretudo, CNH. A maioria dos integrantes dessa organização se passava por policiais civis, e se diziam influentes junto aos examinadores do Detran para facilitar a obtenção da carteira”, afirmou o delegado Conrado Costa da Silva.
Desde então, a polícia realiza diligências e descobriu o grupo especializado na venda e falsificação de CNHs. As pessoas que compravam as CNHs falsas enviavam fotos e assinaturas para os golpistas, que fabricavam a carteira de motorista e até levavam uma pessoa que se apresentava como policial, informando que poderiam facilitar a situação.
Os presos vão responder pelos crimes de falsificação de documentos, organização criminosa e estelionato. A Polícia Civil informou que ficou comprovado que não houve participação de policiais no esquema.
De acordo com a Polícia Civil, um dos suspeitos na “Fake Driver” também é investigado pela Operação “Donum”, que investiga possível compra de votos nas Eleições 2020. Ele é assessor do vereador Dr. Zidane (PP), também investigado na “Donum”.
Em contato com o advogado do parlamentar, Walter Gustavo Ferreira da Silva, que afirmou que os depoimentos que deram início à operação foram colhidas durante o processo criminal que investiga a venda de CNH falsas. Ainda segundo ele, Dr. Zidane não é investigado neste processo, não tendo qualquer conexão com os fatos.
Ainda conforme o Conrado Costa, a operação identificou mais de 100 pessoas que pagaram por CNHs falsas ou pagaram por uma suposta facilitação na aprovação do exame de habilitação.
“Essas pessoas são vítimas e também autoras, pois quiseram levar algum tipo de vantagem. Por isso, também vão responder processo criminal”, pontuou o delegado.
Esquema em leilões
Segundo a Polícia Civil, um esquema envolvendo leilões de veículos também é investigado. Os suspeitos prometiam retirada de veículos por até metade do preço, antes mesmo dos carros serem leiloados.
“Eles cobravam um certo valor antes mesmo do veículo ir a leilão e vendiam o carro. Na verdade, tudo isso também era uma fraude. As vendas nunca existiam e a operação era toda fraudulenta, com os suspeitos se apresentando como policiais civis”, concluiu Conrado.
O que dizem os envolvidos
Um dos suspeitos, Givanildo Manoel Calheiros, não foi encontrado em casa e se apresentou acompanhado da defesa. O advogado William Silva informou que a apresentação foi orientação da defesa como forma de colaboração, já pensando no andamento do processo.
“A defesa orientou ele a se apresentar para colaborar com as investigações, até mesmo pensando em uma futura prisão preventiva, e utilizar isso como requisito para derrubá-la”, disse Silva.
Por meio de nota, o advogado de Leonardo Pereira afirmou que não teve acesso às acusações e entende que a prisão foi desnecessária.